dito por Mae West

"It’s not the men in your life that matters, it’s the life in your men."


Posted by Maria * 10:50 PM * 0 comments

Portei-me mal. Em público. E foi tão divertido... Ontem fomos almoçar fora. Eu sabia que o restaurante era sofisticado e discreto. Por isso decidi encarnar o papel da adolescente ruidosa e desavergonhada. Cabelo apanhado com dezenas de ganchos coloridos. Lip gloss de morango, rímel transparente, verniz verde alface. Camisola larga, rosa choque, decote em v. Por baixo da camisola, top preto com riscas brancas e amarelas. Calças de ganga extremamente largas [para poder mostrar os shorts amarelos]. Ténis pretos. Toque final: pastilha elástica. Muita pastilha elástica. O H. não fez nenhum comentário. Apenas abanou a cabeça e sorriu. Se ele soubesse o que eu tinha planeado não teria sorrido. O meu marido estava muito elegante e formal, a diferença de estilos criava a ilusão de que ele era muito mais velho do que eu. Quando chégamos ao restaurante enfiei mais uma pastilha elástica na boca. Mastiguei furiosamente, os meus maxilares queixaram-se mas o balão gigantesco recompensou os esforços. Sentei-me e puxei uma segunda cadeira. Para colocar os pés. Descontraída, um braço por cima das costas da cadeira, cabeça ligeiramente inclinada, sorriso insolente.
"Lugar fino... Tens a certeza de que tens guito para pagar os bifes?" E não, não falei baixo.
"Se eu não tiver guito suficiente podes usar a tua mesada."
Oh, queres brincar?
"Cenourinha, não te armes em chico-esperto. Sabes muito bem que a mesada que me dás não chega para pagar um Big Mac." Mais uma vez não falei baixo. A senhora da mesa ao lado soltou uma pequena gargalhada. E o H. semicerrou os olhos. Ele detesta que o tratem por Cenourinha...
"O que é que a menina quer comer?" Educado. Controlado.
Estudei a ementa durante 10 segundos e atirei-a para cima da mesa.
"Foie-gras salteado? Salada de camarão? Esparguete com ameijoas? Não me parece... Será que posso pedir um bitoque?"
"Não, não podes." pegou na ementa e abriu-a calmamente [mas os seus olhos dourados pareciam ferros em brasa] "Vais comer creme de marisco e bife do lombo à portuguesa. Se não te portares bem não comes sobremesa."
"Eu porto-me sempre bem." e exemplifiquei fazendo um pequeno balão e rebentando-o ruidosamente.
"Vais comer com isso na boca?"
"Não sei se te lembras mas no dia dos namorados fizeste-me comer duas coisas ao mesmo tempo: caramelo e o teu..." levei o dedo do meio à boca e ele prendeu a respiração "...por isso se eu quiser almoçar, mascar pastilha e fazer o pino, não podes impedir-me."
"Maria." disse o meu nome como se fosse um aviso.
"E outra coisa..." tirei-lhe a ementa das mãos e olhei para as sobremesas "...para sobremesa quero leite creme."
"Não tens noção, pois não?" lábios repuxados num sorriso feroz, pupilas dilatadas... intimidante, excitante.
"Esta cena está a ficar muito intensa." pisquei-lhe o olho e não abri o bico até trazerem a nossa comida "O teu bife com molho de queijo parece decente. Queres trocar?"
Ele não respondeu. Encolhi os ombros, colei a pastilha na base do meu copo e comecei a comer. Estava delicioso por isso foi fácil perder-me nos sabores da boa comida e ignorar os olhares ameaçadores do meu demónio ruivo. Quando chegou a hora da sobremesa chamei o empregado.
"Pode trazer-me um leite creme, se faz favor."
"Ela não quer."
Fiz uma careta que arrancou um sorriso do empregado e um suspiro exasperado do H.
"Olhe, traga duas taças de leite creme."
Quando o empregado se afastou o H. inclinou-se sobre a mesa e olhou para mim com ar de quem estava prestes a cometer um crime passional. Oh, sim, por favor.
"És uma miúda insuportável e mereces que te foda o rabinho sem lubrificante. Ficavas uma semana sem te poderes sentar. Mas não te preocupes... O castigo será muito pior." calou-se quando o empregado trouxe a sobremesa.
O H. foi brutalmente explícito e isso deixou-me com a boca seca e os shorts húmidos. Fiquei sem vontade de comer o leite creme e com vontade de comer outra coisa...
"Afinal não quero." afastei as duas taças e levantei-me.
"Não vamos embora enquanto não comeres tudo. Afinal foste tu quem insistiu..."
Sentei-me e peguei na colher. Custou mas comi tudo.
"Agora já podemos ir embora?"
"Tanta pressa..."
"Estou curiosa. O que poderá ser pior que levar no cu? Principalmente quando o que se enfia é grande e grosso e..."
"Insuportável e malcriada. Vou adorar castigar-te." o seu sorriso predatório deixou-me ainda mais excitada.
Quando chegámos em casa ele levou-me para o quarto. Despiu-me devagar e deitou-me em cima da cama. Amarrou os meus pulsos e tornozelos. Quando me vendou senti-me muito vulnerável. Pensei que ele fosse tocar-me mas... Nada...
"H.?"
"Estou aqui." longe, muito longe...
"Não vais...?"
"Quando me apetecer." ouvi os seus passos e depois ouvi a televisão.
Ele vai deixar-me aqui sozinha, amarrada, braços atrás das costas, vendada e frustrada? Não, não, não... Queria gritar, implorar, mas fiquei calada e quieta. A tensão era tanta que estar amarrada era uma benção. Respirei fundo e tentei acalmar-me. Acabei por adormecer...
"Acorda, coelhinha." murmurou ao meu ouvido com ternura, depois afrouxou o nó da corda que prendia os meus tornozelos "Estás bem?"
Não libertou os meus braços nem tirou a venda. Rolou o meu corpo de forma a ficar de barriga para baixo...
"Levanta a barriga." quando obedeci o H. colocou uma almofada "O teu castigo começa agora."
Sentir o seu peito nu nas minhas costas, a sua erecção no meu rabiosque, pele com pele, provocou uma descarga eléctrica pelo meu corpo todo. Por isso quando ele se afastou senti-me desamparada.
"H.? Não me deixes sozinha outra vez."
"Mesmo que quisesse não podia. Levanta a cabeça. Abre a boca."
Obedeci e fui invadida pela sua dureza, carne cheia de vida, quente, deliciosa. De olhos vendados as sensações eram mais intensas. Quando ele se veio engoli tudo até à última gota.
"Portaste-te muito mal durante o almoço. Por isso vamos parar por aqui." tirou-me a venda e beijou-me carinhosamente.
"Parar?! Então e eu?! Não sei se reparaste mas foste o único que..."
"Este é o teu castigo. Eu não te vou tocar. E tu não te podes tocar."
"Não podes impedir-me."
"Tens os braços amarrados."
"Não é justo."
"Foste tu quem começou isto. Querias ser castigada. Eu avisei-te que seria pior..."
"Assim não."
"Quem se porta mal não tem o direito de escolher os seus próprios castigos."
"Quando eu quiser ir à casa de banho não vou poder usar as mãos..."
"Eu vou contigo."
"Não é justo." repeti e fechei os olhos quando vi a maneira como ele estava a olhar para mim. Tanta ternura. Preferia mil palmadas... não seria tão doloroso.
"Basta dizeres Não. Se achas que estou a ir longe demais podes dizer Não."
"Se amarrares as minhas mãos à frente poderei ir à casa de banho sozinha, poderei coçar o nariz..."
"Promete que não coças outros lugares."
"Prometo."

...

...

...

...

...

...

...

...

...

...

...

...

...

...

...


Hoje de manhã o H. acordou-me...
...com a língua.
Entre as minhas pernas.
Explodi com a força de duas bombas atómicas.


Posted by Maria * 8:09 PM * 4 comments

Ele levou-me o pequeno-almoço à cama. Cheerios com leite quente. Ele sabe que eu gosto dos meus cereais moles e quentinhos. O H. é tão querido e atencioso. E foi ele quem me disciplinou com uma mão tão firme, que arrancou de dentro de mim lágrimas de frustração e de prazer...
"Estás muito silenciosa. O que se passa aí dentro?" acariciou a minha testa com um dedo.
"Estou a pensar nas palmadas que me deste... se eu me portar mal outra vez...?"
"Tu queres mais?"
"Mais disciplina. Menos palmadas."
"Queres que eu te castigue novamente?"
"Só se eu me portar mal."
"E vais portar-te mal?"
"Vou."
"De propósito?"
"Sim."
"Quando?"
"Quando menos esperares..."



Ele ficou calado.
Mas a maneira como olhou para mim disse-me tudo o que eu não queria saber...


Posted by Maria * 8:15 PM * 3 comments

"Vais sair assim?"
A pergunta surpreendeu-me. O tom enfureceu-me. A maneira como ele olhou para mim assustou-me. Mentalmente revi o que tinha acabado de ver reflectido no espelho do nosso quarto. Botas pretas de cano alto, saltos altos. Meias de vidro pretas. Vestido preto, curto, malha canelada, decote quadrado. Casaco comprido, preto, leve. Cabelo apanhado num rabo de cavalo, apertado, severo. Olhos dramáticos, pestanas muito compridas e negras [e nem usei rímel], eyeliner preto, lábios de um rosa pálido discreto. Sexy mas não deliberadamente provocante. Sexy para ele, por causa dele. Não para os outros...
"Vou! E se olharem para mim, paciência! Gosto de me arranjar, de estar no meu melhor! Principalmente quando saio contigo! Não vais começar com merdas de marido ciumento, pois não? Eu não aceito merdas de ninguém!"
Ok. Fui um bocadinho mal educada e precipitada no meu julgamento. E o que ele disse a seguir confirmou a minha precipitação.
"Não me importo que olhem para ti, que te desejem, que te imaginem nua e em posições impróprias. Não me importo absolutamente nada. Sabes porquê? Porque tu não olhas para os outros homens da mesma forma que olhas para mim.
"Convencido..." Mas eu estava a sorrir. "Então o que é que a minha roupa tem de mal?"
"Esse casaco não é quente, o teu pescoço está completamente exposto, precisas de um cachecol, gorro, luvas..."
"Nem pensar. Não vou dar cabo deste look. Talvez troque de casaco mas cachecol e companhia... Repito. Nem. Pen. Sar."
Não sei como é que consegui falar com tanta firmeza. O H. estava furioso: olhos semicerrados, lábios apertados, veia a pulsar na têmpora esquerda... Ele fechou os olhos, respirou fundo e quando voltou a abri-los estava ainda mais furioso do que antes.
"Está muito frio e não quero que te constipes. Não depois de uma gripe tão recente. Lembras-te? Lembras-te do que me prometeste?"
"A tua preocupação é comovente mas se continuarmos com esta conversa absurda vamos perder o ínicio da peça..."
"Conversa absurda?"
Meu. Deus. Do. Céu. Duas palavras. Oh, mas tanta raiva... tanta raiva. Dei dois passos atrás.
"És incrível. Incrível. Pois bem. Eu não me esqueci do que vi nem do que senti. E também não me esqueci do castigo. Está na hora." agarrou-me pelo cotovelo e levou-me em direcção ao sofá.
"E a peça?" estava completamente atordoada pela energia animal, pela fúria controlada, trela curta... será que perderia o controlo?
"Não vamos."
"Mas já temos os bilhetes..." patética, simplesmente patética... estava a tentar adiar o inevitável e não estava a fazer um bom trabalho.
"Tira o casaco." tom perigosamente calmo... é claro que obedeci!
O H. sentou-se no sofá e com um movimento seco deitou-me de barriga para baixo no seu colo. Quando ele enrolou o meu vestido até à cintura e baixou as minhas cuequinhas de renda não tentei impedi-lo. Prendeu os meus pulsos com a sua mão enorme. Senti-me muito vulnerável mas não tive medo...
"Não o faças." ...porque sabia que bastava dizer Não.
Quando ele libertou os meus pulsos senti-me perdida. Podia ter-me levantado do seu colo. Mas em vez disso fechei os olhos e fiquei onde estava...
"Não percebo o que se passa comigo."
"Há mais de duas semanas que estás à espera. Tu precisas disto."
A primeira palmada doeu. A segunda e a terceira também. A partir da oitava estava tão sensível que a dor deu lugar a uma sensação estranha. Estranhamente deliciosa. Em vez de tentar escapar às palmadas, empinei o rabiosque e rendi-me à mão disciplinadora... Os meus olhos estavam húmidos, outra parte de mim também estava húmida... E o corpo do H. estava a reagir. A minha barriga sentiu a reacção em primeira mão...
"Tu estás a gostar." acusei.
"Aparentemente, sim."
E o meu ruivo diabólico riu-se.
"Não tens vergonha? Excitas-te com o meu sofrimento..."
"Não me parece que estejas a sofrer. Se calhar este castigo não é tão eficaz como eu pensava..." acariciou o meu rabiosque, toque delicado, leve como penas, mas a pele estava tão sensível que a carícia arrancou um gemido estrangulado da minha garganta "E se eu usasse um cinto? Talvez doesse a sério..."
"Se usares um cinto juro que és um homem morto."
Ele ignorou a minha ameaça de morte e beijou o meu rabiosque.
"Queres mais? Ou por hoje já chega?"
Olhei-o por cima do ombro e deitei a língua de fora. E é claro que levei mais umas palmadas. Depois ele enfiou a mão entre as minhas pernas e sentiu o quanto estava molhada.
"E agora? O que é que eu vou fazer contigo?"
"Posso dar sugestões?"
"Claro."
"[censurado]"
"Coelhinha atrevida. Mas acho que devemos aproveitar a sensibilidade do teu lindo rabinho e [censurado]."
"Antes de fazermos isso quero saber se ainda estás zangado comigo?"
"Dei-te apenas aquilo que precisavas. E tu precisavas de um marido zangado e disciplinador. Por isso é que te comportaste como uma menina malcriada e mimada. E ambos sabemos que não és malcriada nem mimada..."
"Entendo... Por exemplo, agora preciso de um amante cheio de imaginação..."
O H. deitou-me no sofá e usou a sua imaginação...



...e também usou a língua, os dentes, os dedos...


Posted by Maria * 11:38 AM * 0 comments



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