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O H. estava à minha espera num restaurante do Bairro Alto [achou estranho não irmos juntos mas quando lhe disse que tinha preparado algo especial não fez mais perguntas...]. Ele preferia ter jantado em casa, uma celebração intíma do nosso primeiro aniversário de casamento. O que eu tinha planeado também era uma celebração intíma. Muito intíma...
Entrei no restaurante ao lado de um homem lindíssimo, de mãos dadas, sem aliança, sorrindo divertida, uma piada privada talvez... Moreno, alto e elegante. Pena que ele era gay. É um amigo do Guy e concordou em participar no jogo. O B. é um bom rapaz, digo rapaz porque tem 23 anos e é muito doce. Sentámo-nos nos bancos altos do bar. Ajeitei o vestido. Era escandalosamente curto. Caxemira azul céu, decote em v. Botas de cano alto cinzentas, salto agulha, collants cinzentas. Cabelo apanhado no alto da cabeça. Baton cereja... O H. estava sentado na mesa do canto. O cabelo ruivo, ondulado, rebelde, uma mecha roçando a sobrancelha esquerda... que vontade de enfiar os dedos no seu cabelo, morder os seus lábios e esfregar-me contra o seu corpo. Talvez pressentindo que estava a ser devorado mentalmente por uma tarada virou a cara na minha direcção. Ao reparar que estava acompanhada semicerrou os olhos. Levantou-se e aproximou-se de nós. "Boa noite." Não respondi. Limitei-me a olhar para ele como se não o conhecesse. "Não te lembras de mim? Conhecemo-nos em casa de um amigo. Chamo-me H." Muito bem, ele estava disposto a entrar no jogo. "Querido, lembras-te dele?" Virei-me para o B. e acaricei-lhe a linha do maxilar. Um gesto deliberado, para mostrar que éramos um casal. "Lembro-me. O único ruivo da sala..." Disse-o como se fosse um insulto. O rapaz doce também sabia ser mauzinho. "Não quero ser mal educada. Mas hoje faço anos e preferia estar a sós com o meu namorado." O H. olhou para mim com tanto desejo que se o B. fosse mesmo meu namorado teria ficado furioso. "Parabéns." Inclinou-se e deu-me um beijo no canto dos lábios. Atrevido. "Obrigada." Ele despediu-se de nós e voltou para a sua mesa. Conversei com o B. e tentei ignorar os olhares do H. Cerca de 15 minutos depois eu e o meu "namorado" discutimos. Foi uma cena muita realista, com vozes alteradas e olhares magoados. Não fosse o B. um jovem actor com muito talento [o Guy conheceu-o nos bastidores de uma peça de teatro]. Pedi ao barman que me arranjasse um whisky duplo sem gelo. Quando colocou o copo à minha frente o H., que tinha acabado de se sentar ao meu lado sem pedir permissão, agarrou-o e bebeu metade. Olhei-o indignada. "Isso era meu." "Não é boa ideia embebedares-te na noite do teu aniversário. Além disso estás sozinha e és muito sexy. Poderiam tentar aproveitar-se de ti." "Eu quero que se aproveitem de mim." Olhei para a sua aliança e ele seguiu o meu olhar. "A minha mulher não vem apesar de ser o nosso aniversário de casamento..." "Pelos vistos não é importante para ela." Trocámos um olhar que deveria ter bolinha vermelha. "Queres jantar comigo?" "Quero." Queria muitas outras coisas. Mais tarde... O jantar foi muito agradável. O H. interpretou o papel do marido abandonado e eu o da namorada rejeitada. Quando terminámos de comer olhámo-nos em silêncio. Ele parecia estar a tomar uma decisão. Respirou fundo e pegou na minha mão. "E se fossemos para minha casa?" "A tua esposa?" "Ela não vai aparecer..." Sorriu e eu senti-me derreter entre as pernas. "Tenho uma ideia melhor. Estou hospedada numa pensão aqui perto. Podemos ir a pé." Saímos do restaurante e caminhámos sem nos tocarmos. À porta da pensão ele agarrou-me pelo braço e olhou-me nos olhos. "Tens a certeza?" "Sim. E tu?" Não esperei pela resposta e entrei. O H. seguiu-me até ao pequeno lobby. Pedi a chave do meu quarto e subi as escadas até ao primeiro andar. O H. subiu atrás de mim, aproveitando a vista que o meu mini vestido proporcionava. Abri a porta do quarto e entrei. O H. ficou à porta. "Não entras?" "O teu namorado?" "Ele não sabe que estou aqui." Agarrei-lhe a mão e ele entrou. O quarto era verde, pequeno e a cama parecia ocupar o espaço todo. Ajoelhei-me e puxei a mochila que estava debaixo da cama. De manhã tinha confirmado a reserva e tinha lá deixado a mochila. Coloquei-a em cima da cama. "Antes de começarmos tenho de te avisar que as coisas que eu gosto são um bocadinho diferentes daquilo a que deves estar habituado..." Abri a mochila e tirei de lá quatro cordas, uma mordaça de cabedal, um lenço preto e gel lubrificante. O H. ergueu as sobrancelhas. "Vais amarrar-me?" A sua postura indicava que naquela noite se eu o sugerisse ele não se deixaria dominar. Eu não queria amarrá-lo, não quando a sua força era como uma onda de energia que fazia vibrar o meu corpo. "Quero que uses tudo o que está em cima da cama. E principalmente quero que me uses. Mas não me magoes... muito." O seu sorriso deveria ter-me assustado. Mas aquele ruivo era um demónio maravilhoso e amava-me. "Tu gostas de obedecer?" "Depende do homem..." "Tira a roupa." Obedeci com prazer. "Solta o cabelo." Tirei os ganchos. A cama estava entre nós e o H. com um gesto pediu que me aproximasse. Atravessei a cama de gatas. "Vira-te e mantém-te nessa posição." Ele amordaçou-me e amarrou os meus pulsos. Como as mãos não estavam livres tive de me apoiar nos antebraços. A posição era deliciosamente indecente. Ele podia fazer-me tudo o que queria.....................................O orgasmo sacudiu o meu corpo, os meus dentes marcaram o cabedal. O H. tirou-me a mordaça com cuidado. Não me desamarrou. Abraçou-me e olhou para mim com ternura. "O teu namorado é um otário." "E a tua esposa é uma parva." "Não, não és." Ele pegou nas minhas mãos e colocou-as por cima da minha cabeça. A sua língua deslizou até ao meu umbigo e desceu... desceu até penetrar suavemente... Depois da sessão de tortura o H. desamarrou-me e sussurrou ao meu ouvido "Feliz aniversário."
Posted by Maria * 4:18 PM *
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Entrei na cozinha e comecei a salivar quando vi que o H. estava a queimar açúcar numa frigideira. E quando ele se virou, calças de ganga com cintura descaída, tronco nu, descalço, salivei ainda mais... Era óbvio que ele não estava a usar nada por baixo. "Bom dia." "Bom dia, coelhinha." O seu sorriso fez com que o meu coração se esquecesse que o trabalho dele é manter-me viva e não fazer um solo do Sing Sing Sing que faria o Benny Goodman orgulhoso. "Dormiste bem?" Ele sabia que desde sábado que eu não conseguia dormir mais de duas horas seguidas. Não gosto de brigar com ele, não quando as coisas podiam ser resolvidas de outra maneira. Eu sei que tinha razão mas mesmo assim... "Desculpa. Tenho de respeitar a tua vontade ou falta dela. E principalmente tenho de ser capaz de parar quando é óbvio que não estás tão excitada quanto eu." Olhei para o H e o que vi nos seus olhos fez-me amá-lo ainda mais. "Acho que reagi tão mal porque eu queria ceder para te agradar. No passado já o fiz e depois senti raiva de mim mesma. Contigo não vou ceder, não na cama, não seria justo para mim nem para ti... Entendes?" Estava a tentar fazer com que ele percebesse mas as palavras nunca são suficientes. O H. ajoelhou-se ao meu lado e agarrou-me pela nuca. Pousou os lábios nos meus, um beijo carinhoso, delicado. "Amo-te e desejo-te tanto que às vezes até dói só de olhar para ti. Quero-te sempre mas isso não significa que para ti é igual... Não quero que cedas para me agradar, quero que cedas porque me desejas." "Mas para mim é igual. Desde que entrei na cozinha que tenho vontade de baixar as tuas calças e fazer-te um bro..." Beijou-me mas desta vez o beijo foi possessivo, intenso, deixou-me sem fôlego. "Sexo é algo que adoro fazer. Contigo. Mas às vezes quero apenas ser abraçada e dormir." "Desde que não penses em fazer abstinência outra vez." "É uma experiência que não tenciono repetir." Enfiei os dedos no seu cabelo ruivo e dei-lhe um beijo na ponta do nariz. "Tenho fome. Acaba de fazer as panquecas." Comemos depressa. Depois o H. deitou-me em cima da mesa e derramou caramelo no meu corpo... Unf...
Posted by Maria * 4:43 PM *
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"Abraça-me e deixa-me dormir."
"Não tenho sono."
"Mas eu tenho." Estava cansada e a almofada era uma delícia que não trocava por nada [
nem por uma tablete de chocolate... nem por sexo...].
Uma mão enfiou-se por dentro da minha t-shirt e a outra por dentro dos meus shorts. Deixei-o tocar-me. As carícias tinham um efeito relaxante, a minha respiração ficou mais lenta, as minhas pálpebras ficaram pesadas. Teria adormecido se o H. não tivesse pressionado os dedos num certo lugar...
"Obrigada. Agora já não vou conseguir dormir." Levantei-me da cama, peguei na minha almofada e fui buscar um cobertor ao roupeiro.
"O que é que estás a fazer?"
"Vou para a sala ver televisão."
"Não preferes voltar para a cama e fazer outra coisa?"
"Não." olhei para
a erecção o lençol e depois olhei-o nos olhos "Parece que vais ter de usar a técnica do
5 para 1."

Frustrado?
Sorry...
Posted by Maria * 10:43 AM *
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Eu Ela: …I’ll scream.
Ele: I don’t want you to scream.
*
*mentiroso!
Posted by Maria * 1:02 AM *
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"Ele não aproveitou? Merecias umas boas palmadas..."
"O meu marido não é o tipo de homem que gosta de espancar rabiosques."
"Mas é o tipo de homem que gosta de amarrar, brincar com morangos e enfiar cubos de gelo em sítios..."
"Gui, cala-te." estava a corar, o que é engraçado porque sou uma mulher adulta que não tem vergonha do sexo que faz com o marido.
"Ficaste desapontada quando ele não te deu as palmadas?"
É por isso que gosto de falar com o Gui sobre estas coisas. Ele faz as perguntas certas. Olhei-o com carinho. My perfect gay friend...
"Fiquei aliviada. Mas parte de mim queria ser disciplinada. O H. disse-me que o que nós partilhamos não tem nada a ver com BDSM. No entanto o que ele me faz... Li algumas coisas e até certo ponto concordo que a nossa relação não tem nada a ver com a dos casais que vivem a dominação e a submissão ao extremo... "
"Vejo que pesquisaste muito sobre o assunto. Encontraste alguma coisa que te tenha agradado?"
"Mordaças."
"Falaste com ele sobre isso?"
"Sim."
"E o que é que ele achou?
"Gostou da ideia."
"Por falar em ideias... Já pensaste como é que vais celebrar o teu primeiro aniversário de casamento e o teu vigésimo oitavo aniversário?"
"Já sei o que quero fazer mas vou precisar da tua ajuda."
"Pelo sorriso presumo que a ideia seja escandalosa."
"Só um bocadinho escandalosa..."
Posted by Maria * 10:40 AM *
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