Sexta-feira, sentada no sofá, revi mentalmente a lista das coisas que eu iria fazer ao H. Coisas muito más. Deliciosamente más. Olhei para os meus pés e sorri. Meias grossas pretas. Estava vestida de preto: Leggings e camisola de gola alta. A minha aparência era tudo menos atraente. Pelo menos era essa a minha opinião até o H. chegar a casa. Beijou-me, um beijo de língua, agressivo e esfomeado, que quase me fez esquecer que nesse dia o papel submisso não era meu. E para que não houvessem dúvidas disse-me ao ouvido "Tenho uma mulherzinha muito sexy. Só não enfio as mãos por dentro dessa camisola atrevida porque hoje a iniciativa não é minha." Camisola atrevida?! Uma camisola de gola alta, larga e comprida? "Eu sei que por baixo disso tudo está um belo par de mamas e se achas que..." "Cala-te. A partir deste momento só falas quando eu te dirigir a palavra. Vais deixar-me fazer-te tudo o que eu quiser. Se não te sentires confortável, se achares que estou a ir longe demais, diz-me e eu paro imediatamente. Quero que confies em mim. Estás pronto?" Ele olhou-me nos olhos antes de responder. Vi um desejo de comandar refreado... Mas também vi ternura. "Sim." "Então vai para o quarto e veste a roupa que está em cima da cama. Depois vem ter comigo à cozinha." Sorri divertida ao imaginar a cara dele quando visse que a única roupa que eu queria que ele vestisse era uma gravata. Fui para a cozinha e enfiei o jantar no forno. Piza... É simples, rápido e além disso a sobremesa que eu tinha preparado era muito elaborada. Quando o H. entrou na cozinha tive de fingir que a sua nudez não me afectava. Mas a visão daquela gravata, o corpo nu, o sorriso tímido... Erótico. Tirei a piza do forno e coloquei-a em cima da mesa. Ele sentou-se e eu sentei-me no colo dele. Peguei numa fatia e dei uma dentada bem grande. Alguns fios de queijo derretido ficaram agarrados ao meu queixo. "Limpa-me..." quando ele ia usar um guardanapo acrescentei "...com a tua boca." Saboreou, mordiscou, lambeu. O meu marido estava a provocar-me. Ok, por mim tudo bem. Dei-lhe a minha fatia de piza. Quando um bocadinho de molho de tomate sujou-lhe o canto do lábio, usei a língua. Foi um jantar muito lambuzado. "Vamos. A sobremesa está no quarto." Levantei-me do seu colo e respirei fundo. It's showtime. Estava nervosa. Só o seu prazer me interessava. Tinha de ser perfeito e eu não sabia se as minhas escolhas lhe agradariam. Sim, quem dominava era eu mas isso não queria dizer que os desejos do H. não eram importantes. "Deita-te no meio da cama." Ele obedeceu. Abri a gaveta da mesa de cabeceira e tirei de lá quatro lenços de seda. Depois fui ao roupeiro. Precisava de uma venda e o cachecol preto podia desempenhar essa função. Amarrei os lenços à cabeceira e aos pés da cama, os pulsos e os tornozelos presos. Tapei-lhe os olhos com o cachecol e tirei-lhe a gravata. "Eu sei que tens força suficiente para te libertares, os lenços são muito frágeis. Mas são o símbolo da tua rendição. Estás disposto a render-te a mim?" Engoliu em seco e acenou com a cabeça. "Tens de o dizer em voz alta." "Sim." A gaveta da mesa de cabeceira continuava aberta. Tirei de lá duas velas grandes, um isqueiro e uma tablete de chocolate negro. Coloquei tudo em cima da cama. Depois despi-me e sentei em cima da barriga dele. Estava excitada, molhada, a ferver. "Como podes sentir estou pronta... Bastava guiar-te até dentro de mim e cavalgar-te até à exaustão. Mas prefiro torturar-te primeiro..." Parti um pedaço da tablete de chocolate e coloquei-o na boca. Adoro chocolate e adoro a boca do H. Beijei-o até o chocolate desaparecer. Coloquei outro pedaço na boca e chupei-lhe os mamilos. Senti-o tenso, os músculos dos seus braços, as veias salientes, os abdominais duros. Ele estava a controlar-se, a combater a vontade de se libertar. Agora o mais difícil. Para ele. Mais um pedaço de chocolate. Deixei derreter um pouco na língua e depois saí de cima da sua barriga. Sentei-me um pouco mais abaixo de forma a poder enfiá-lo na boca. Fellatio. Muito bom e não só por causa do chocolate. Eu gosto de senti-lo na minha boca, a pulsar, vivo, duro, quente, saboroso, como uma entidade independente. O H. gemeu, debateu-se, mas controlou-se e não rasgou os lenços de seda que o prendiam. Outro pedaço de chocolate. Dessa vez esfreguei o pedaço de chocolate da base até a ponta, depois voltei à base e desci um pouco mais. Enfiei o chocolate na boca e comecei a espalhar o chocolate com a língua. Satisfeita com o resultado lambi tudo. "Se continuares a fazer isso acho que não vou conseguir..." Calou-se quando mordisquei a ponta. "Aguenta. Prometo que no fim vai valer a pena." Sentei-me novamente na sua barriga e peguei numa vela e no isqueiro. Quando acendi a vela o H. franziu o nariz. "Velas?" "Não gostas? É muito romântico." "Mas eu não consigo ver..." "Não é para ver." Levantei o braço bem alto e fiz pontaria. A cera derretida caiu em cima do seu mamilo esquerdo. A sua reacção foi linda e intensa. Ele não gemeu nem gritou, rosnou. Rosnou como um animal feroz e, se não se tivesse rendido a mim, se não tivesse concordado em abdicar do poder, teria arrancado os lenços, destruído a cama e ter-me-ia devorado. Beijei-o carinhosamente e depois murmurei ao seu ouvido "Queres mais?" "Sim." Mamilo direito. Barriga. Coxas. Músculos retesados, pequenos espasmos, suor... E era eu quem estava a provocar-lhe aquilo, a dar-lhe prazer, a levá-lo ao limite. "Quero derramar cera derretida num certo lugar... Prometo que vou ter muito cuidado. Mas se achas que é demais então paro por aqui..." "Se não parares morro. Se parares também morro. Por isso faz o que quiseres comigo." Sorri e levantei o braço. A cera caiu certeira na ponta... do seu nariz. Ele prendeu a respiração e depois desatou-se a rir. "És diabóli..." Calou-se quando a cera derretida atingiu-o no tal lugar. Foi a gota de água (ou de cera). O som da seda a rasgar-se excitou-me e desapontou-me. "Não aguento mais. Ou é agora ou vou explodir." O desapontamento desapareceu quando me apercebi que as suas mãos agarravam o lençol com força, os olhos ainda vendados. Apaguei a vela. Guiei-o até dentro de mim. Delicioso. A cera foi-se desfazendo com a fricção, adicionando mais prazer. Quando ele se veio tirei-lhe a venda. Os seus olhos queimaram-me. "Vou abraçar-te. Ou tenho de pedir permissão?" "Abraça-me mas não abuses." Ele riu-se e rolou o corpo de forma a que eu ficasse por baixo dele. "Não abuses..." repeti. Ele ignorou o aviso e acendeu a vela. "Quero retribuir o prazer que me deste. Posso?" Soprei e a vela apagou-se. "Fica para a próxima." Ele sorriu e pelo tipo de sorriso percebi que a retribuição seria muito parecida com vingança.


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